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CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

10
Abr19

AS CANETAS AINDA NÃO ME ABANDONARAM.


pequenos nadas

 

            Escrevo muito, gosto de escrever, passo algumas horas a «rabiscar» nos meus «caderninhos», por exemplo, as coisas que redijo para este jornal.

            Nos dias de hoje será criticável e desactualizado escrever com caneta ou esferográfica, contrariando a tendência de usar o teclado e quando estão em palco as canetas digitais. No entanto, caro leitor, depois de edificar e dar corpo ao texto, uso o Word ou outras novas tecnologias. É aí que efectuo as últimas correcções e endereço, por e-mail, a quem de direito.

            Mas pensa o leitor que já exauriram as canetas, já nos abandonaram? Desiludam-se. A caneta, na contemporaneidade, ainda “é mais poderosa que a espada”, – ideia que surgiu em 1839 pelo entendimento do escritor e político britânico Edward – Bulwer – Lylton.

            Thomas Jefferson , terceiro presidente dos Estados Unidos, escreveu numa carta a Thomas Paine, repetindo o aforismo. Confirmava a necessidade de continuar a fazer com a caneta o que antes havia sido feito com a espada. (Leia-se o artigo, no Expresso, de Nuno Galopim, na Revista de 31 de Março 2019).

            E assim se fez. Olhem, com atento, as tomadas de posse dos nossos governos no Palácio de Belém. Há canetas ou não há? Sinal de poder ou de vaidade? E, já agora, reparem se o acontecimento se repete nos lugares de assinatura de grandes negócios ou de protocolos milionários!…

            A caneta continua a ser veiculo que fixa e comunica memórias, histórias, pensamentos, vã glória, também, o amor, os sentimentos mais nobres ou ignóbeis. E todos sabem que a caneta pode eternizar um acto, enquanto as novas tecnologias podem reduzi-lo a nada.

             Mas, na antítese, a caneta é uma companheira fiel que nos ajuda a estar só com a escrita. A caneta, para alguns, continua a ser um utensílio com que se escreve quase à velocidade da ideia. Depois é acarrear o que se redigiu ao tratamento definitivo, no computador ou noutras novas tecnologias.

            Há quem já não saiba escrever com uma caneta, há quem a considere um instrumento relíquia. Existem canetas caras, por vezes bordadas a pedras preciosas, autênticos mitos para alguns, realidades para outros. Existem de todos os preços, desde 500 euros a 20.000 euros, as cravejadas de diamantes e rubis, peças únicas, a cerca de 10 milhões de euros.

            Indigne-se leitor. É isso mesmo que deve fazer.

             Pode estar convicto de que muitas delas assinaram os documentos mais ignóbeis. Guerras, por exemplo, onde morreram milhões de pessoas.

            Esteja tranquilo leitor, eu uso canetas baratinhas…qualquer comum mortal pode possuir.

[ in O Despertar, António Inácio C. Nogueira ]

29
Mar19

Li o Livro No Armário do Vaticano, Leia Também.


pequenos nadas

 

          Frédéric Martel, investigador, escritor e jornalista, escreveu um livro que se intitula No Armário do Vaticano. Quem estiver interessado em conhecer os enigmas do poder, da hipocrisia e da homossexualidade, nas intimidades do Vaticano, tem de ler, obrigatoriamente, este livro. Aviso que é um volume denso, de 646 páginas, para digerir devagar, estando garantido, no final, um bom repasto.

            A obra, polémica, levanta o véu a um mesmo segredo, contextualizado em redor de várias questões, como por exemplo, o celibato dos padres, a interdição do preservativo pela Igreja, a cultura do sigilo em torno do tema do abuso sexual, a misoginia do clero, o fim das vocações para o sacerdócio, e, tantas e tantas outras.

            Durante quatro anos, o autor-investigador, percorreu os meandros do Vaticano, desenvolveu uma investigação de índole predominantemente qualitativa, no terreno, em mais de trinta países. É obra! Entrevistou dezenas de cardiais e encontrou-se com centenas de bispos e de padres. Foi capaz de desvendar a parte recôndita da Igreja, desde os mais pequenos seminários até ao Vaticano. Ajuizou, concomitantemente, sobre as vidas homossexuais escondidas e sobre a mais radicais homofobias. Assume, o autor, peremptoriamente: a esquizofrenia da igreja é insondável. E adianta: quanto mais um prelado é homofóbico em público, mais provável é que seja homossexual na vida privada.

            No Armário do Vaticano é publicado, simultaneamente, em 8 línguas e vinte países. Baseia-se num grande número de fontes, na investigação de terreno, – que se prolongou por mais de quatro anos, como já foi dito –, foram inquiridos mais de 1500 pessoas, no Vaticano e mais de 30 países. Entre elas, 41 cardiais, 52 bispos e monsignori, 45 núncios apostólicos e embaixadores estrangeiros, e, ainda, mais de duzentos padres e seminaristas. Todas estas entrevistas foram efectuadas pessoalmente, nenhuma por telefone ou e-mail. Às fontes de «primeira-mão», junta-se uma vasta bibliografia, com mais de um milhar de referências, livros e artigos. A feitura do livro teve a credencia-lo um conjunto, alargado, de investigadores de mérito reconhecido e, ainda, o acompanhamento e defesa por um consórcio de uma dezena de advogados.

            Poucos poderão duvidar da bateria instrumental desta investigação e da fiabilidade resultante do seu tratamento.

            O leitor que esteja interessado em saber mais, tenha a maçada de consultar o site www.sodoma.fr. e estar atento às palavras do Papa Francisco: A homossexualidade no clero é uma questão muito importante, que me preocupa.

            Importante é, pois, o conteúdo deste livro.

            Então, aconselho, leiam, tal como eu estou a fazer.

            Boas leituras, amigos e leitores meus.

[ in Jornal O Despertar, António Inácio C. Nogueira]

20
Mar19

TESTEMUNHOS. «Popularizar» a Física.


pequenos nadas

 

            Motivado, quiçá, por todas as realizações que têm sido levadas a efeito para dar a conhecer a Tabela Periódica e a sua importância para a humanidade, tornava-se curial dar continuidade, aqui, neste jornal, a toda esta corrente cientifica.

            E tudo veio a propósito, caros leitores…

            Tinha acabado de ler um dos livros escrito por um investigador notável, a derradeira obra de uma das mais brilhantes mentes da história da ciência. Ao longo das suas páginas, partilhei, com avidez, a sua perspectiva sobre as transformações que vai enfrentar a espécie humana e o destino reservado para o nosso planeta. Chama-se o livro em questão, Breves Respostas às Grandes Perguntas e o seu autor é Stephen Hawking. Embora escrito com uma linguagem acessível, trata os problemas mais complexo da terra e do espaço. O autor revela-se, deste modo, um comunicador de ciência exímio, pois, explica simples as coisas complicadas. Tem e teve, um grande sucesso entre o público de todas as idades, por isso se diz que «popularizou» a Física.

            Quem tiver acesso a este livro e quiser ter o trabalho de o decifrar com modos de reflexividade, anotando e sublinhando os momentos mais sublimes, e, dando-se ao trabalho de voltar ao principio, – lendo apenas os sublinhados feitos e as anotações à margem, – garanto que ficará arrebatado com os conhecimentos adquiridos.

            E que questões coloca Hawking? Vou enumerar apenas algumas para aguçar a curiosidade do leitor: Existe um deus? Como começou tudo? Podemos prever o futuro? Viajar no tempo será possível? Existirá mais vida inteligente no universo? Ficará a inteligência artificial mais inteligente do que nós? O que existe dentro de um buraco negro? Podemos colonizar o espaço? Como conformamos o futuro? Sobreviveremos na terra?

            Para terminar deixo dois ensinamentos do insigne sábio, porventura, os que mais convocaram a minha a curiosidade.

            Eis o primeiro:

 

…Os computadores poderão ultrapassar a inteligência humana se duplicarem a sua velocidade e capacidade de memória de dezoito em dezoito meses. Nesta perspectiva, os computadores terão a probabilidade de ultrapassar os humanos em inteligência ao longo dos próximos cem anos.

            Agora, o segundo:

 

 …Um perigo imediato são as alterações climáticas descontroladas. Uma subida da temperatura dos oceanos derreteria as calotes polares e provocaria a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono, A conjugação dos dois efeitos aproximaria o nosso clima do de Vénus, mas com uma temperatura de 250 graus célsius.

            Fascinante e deprimente.

             Homem, acautela-te e trata bem o teu planeta. De outro modo, findarás de forma trágica, num ambiente arrepiante!...

            Leiam, merece.

[ António Inácio C. Nogueira, in O DESPERTAR]

 

 

12
Mar19

O JORNAL O DESPERTAR FAZ MAIS UM ANO PARA ALÉM DO CENTENÁRIO


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Carta de Parabéns, Para Ti, DESPERTAR

 

DESPERTAR. Vou escrever-te mais uma carta. Como sabes, hoje já quase ninguém escreve cartas. O papel e a escrita à mão são considerados profanação. Impõe-se a escrita abreviada e impessoal do email ou a desmesurada mostra do Facebook. Através dos telemóveis enviam-se mensagens sensaboronas. Eu continuo a escrever assim, principalmente, para ti. Encontro no papel e na caneta, uma forma outra de envolvência com a expressão do pensamento, um processo criador de intimidades. E eu quero que seja assim, por que nos consideramos.

DESPERTAR, fazes hoje mais um aniversário, a juntar a muitos outros, mais de uma centena, e continuas a escrever com mão firme, sem as tremuras de Parkinson. Persistes a escrever no papel, com o aparo que guardas dos tempos da Escola Primária, – aquela letra certinha, bonita, que os teus fieis leitores apreciam.

DESPERTAR, eu também escrevo contigo, porque me deste essa oportunidade. Sinto-me lisonjeado por partilhar as tuas formas de estar e ser, nas crónicas que te redijo.

DESPERTAR, tu estás velho na idade, mas novo nas ideias, na perseverança como geres a tua semana, na forma como suportas as intempéries dos novos tempos que te tentam destruir a ti e a todos os que resistem.

DESPERTAR, como tu ainda tens força e talento para dirigires, até à exaustão, o teu jornal, com aqueles sentimentos nobres que sempre procuraste e defendeste, – liberdade pluralidade, sentido crítico, defesa intransigente dos mais vulneráveis!...

DESPERTAR, a memória e a historia das coisas que te rodeiam são, para ti, uma prioridade, ou não fosses tu já tão idoso e um estudioso em permanência. A defesa e conhecimento do património, de todo o património, edificado ou outro, a cultura popular nas suas diversas vertentes, estão sempre entre as tuas prioridades.

DESPERTAR, tu gostas de política e aprecias aquela que é séria, que tudo faz para o progresso da comunidade, abominas aqueles que a desenvolvem para proveito próprio e da sua prole.

DESPERTAR, eu fico espantado com a tua paixão por Coimbra e a sua Baixa! Não admira, pois, seres uma das vozes das suas freguesias e das comunidades locais.

DESPERTAR, eu admiro-me como à tua volta tens tantos colaboradores que te admiram, escrevendo, desinteressadamente, no teu jornal, sobre saúde, ciência, actualidade política, desporto, cultura popular, educação, investigação, literatura, arte, etc., etc., etc.

DESPERTAR, és modesto, vives com dificuldade, mas fazes mais do que muitos que vivem comendo à mesa do rei.

DESPERTAR, ergue a tua taça com o champanhe que te trouxe, apaga as velas de uma só vez, para que se veja o teu fulgor, ajuda-nos a dar o mote para cantar os parabéns que movem o desejo de para o ano voltarmos a estar juntos.

          Até Para o Ano, até sempre, amigo.

26
Fev19

Museu da Cerâmica das Caldas da Rainha


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Fui às Caldas da Rainha, cidade que aprecio, fundamentalmente, pela beleza e criatividade do seu património artístico, muito centrado na designada cerâmica caldense.

             Para além do passeio, desloquei-me com o intuito de visitar o Museu da Cerâmica das Caldas da Rainha.

             Após ultrapassar várias dificuldades, não esperadas, para o encontrar, – pela desajustada orientação minha, acrescida pelo desconhecimento de habitantes da própria cidade a quem pedia auxilio (!), – achei-o bem escuso nos belos jardins que o rodeiam, dizem, de valor patrimonial e paisagístico elevado. No interior de um palacete lá se quedava a exposição permanente que me interessava sobremaneira visitar.

            De acordo com o conteúdo de apresentação, o acervo do museu integra diversas colecções representativas da produção das Caldas da Rainha dos séculos XVII e XVIII e núcleos da produção do século XIX e primeira metade do século XX.

             Mereceu-me um olhar especial o fundo de obras da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro, um agrupado de alto gabarito artístico daquele que foi o grande mestre da cerâmica caldense.

            Este museu é representativo da intensa laboração da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, entre 1884 e 1905. Presenteia, também, a nossa curiosidade, um grupo de faianças da Real Fábrica do Rato, de olaria tradicional e de produção local de escultura e miniatura dos séculos XIX e XX. Destaco ainda, para meu gosto, uma colecção de 40 peças contemporâneas, ilustrativas de design e produção de cerâmica e vidro do século XX. Apreciei, – apesar de concluir da penúria do enquadramento expositivo das magníficas peças que mereciam pousar em lugares mais dignos.

Seguem-se as fotografias das peças expostas que mais apreciei:

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[Texto e fotos de António Inácio C. Nogueira]

22
Fev19

BANDAS FILARMÓNICAS


pequenos nadas

TESTEMUNHOS. Bandas Filarmónicas: Conservatórios do Povo.

 

          Fico contente, ao mesmo tempo, magoado e constrangido, sempre que vejo desfilar uma Banda, à minha beira, ou, assisto, a um concerto por uma Orquestra Sinfónica.

          De entre os diversos instrumentos tocantes enxergo alguns que me cativam, sobremaneira, pois foram esses os mais experienciados pelo meu pai e, muitos outros, familiares próximos. É, também, nessas alturas, que refresco a memória, recordando o pai a ensinar-me o solfejo e a descoberta da leitura da música. Marcava-me trabalho diário que raramente fazia, aprontando como desculpa as mais excêntricas histórias. Porventura pela forma ou pelo jeito utilizado para me ensinar ou motivar, sempre resisti, com veemência, apesar de reconhecer a sua sábia e exímia forma de tocar e manejar o violino e o trompete. Hoje sinto um vazio incontido por não ter recebido, de bom grado, aquelas ordens inflexíveis.

           De forma a sublimar esse estado de alma, quiçá arrependimento, tentei incutir esse prazer nas minhas filhas, pois pressentia possuírem dotes para tal, Fui de todo mal sucedido, – quiçá reminiscências do meu ADN.

           O pai e alguns dos familiares mais próximos, como já acima relatei, pertenceram à Banda Filarmónica de Paços da Serra, nutrindo, todos, pela música uma paixão inata, – assim digo, se não for heterodoxia para as artes da Psicologia e da Sociologia.

            Todos eles, como músicos e como pessoas, devem muito àquela Banda Filarmónica.

            Com a aprendizagem inicial ali recebida, o pai, foi aperfeiçoando a sua prática chegando a pertencer à Banda do Exército, de grande prestígio nacional. Prova de que alguns destes aprendizes singraram, posteriormente, noutras paragens, fazendo carreiras brilhantes em múltiplas e facetadas lides culturais ligadas à música.

            Quase sempre de raiz popular criaram, as bandas, no seu seio, centenas de escolas de música, frequentadas por milhares de alunos. Por esse motivo, e, justamente, vieram a ser apelidadas, por alguns, de “Conservatórios do Povo”.

             Estes centros de aprendizagem da arte, foram, e são, um recurso nobre, um alfobre de músicos, muitos deles pertencentes a classes sociais bem desfavorecidas. Aí aprenderam prática de instrumentos, ensino, arranjo e composição, e, nalguns casos, direcção de orquestra. Pelas Bandas Filarmónicas passaram, e ainda passam, alguns dos melhores músicos de sopro do país.

          As Bandas Filarmónicas são um bom exemplo de centros de socialização local e intergeracional. Nelas podem conviver e aprender, a seu ritmo, três gerações: avós, filhos e netos de qualquer estrato social. Neste quadro socializante, cultivam, ainda, a igualdade de género, não existindo destrinças entre homens e mulheres. Pode-se, assim, afirmar que, desde há muitos anos, pertencem ao povo, alfabetizaram-no, até, em muitos casos.

            As Bandas Filarmónicas, são e foram, inequivocamente, verdadeiras associações de animação cultural e social da sua comunidade. A animação musical, o teatro, o desporto e, até, o ensino da instrução primária, estiveram e estão presentes.

           Enfim, nos meios rurais, e, privilegiadamente, de há 150 anos para cá, a Banda Filarmónica foi o refúgio que dava alento à pobreza e onde se aprendia a tocar, a ler, a escrever e a contar.

             Foram e são um oásis de democracia. E tudo realizam, quase sempre, sem ajuda do poder público.

          Faço, por último, as devidas vénias às Bandas Filarmónicas deste país, em especial à Banda Filarmónica de Paços da Serra, que ajudou muitos dos meus familiares a ser músicos e homens de verdade.

            Pela minha parte, peço desculpa à música e a quem a pratica por não ter sido capaz, por falta de querer, de a aprender, dando continuidade a uma família de bons praticantes.

          Salvo-me, possivelmente, por ser, hoje, um bom admirador de música sinfónica, onde revejo diversos instrumentos musicais com a nostalgia de quem não os quis descobrir.

             Neste propósito vou doar, à `Banda Filarmónica de Paços da Serra, documentação musical de real valor patrimonial e histórico, pertença do meu pai.

[ António Inácio C. Nogueira, in Jornal O DESPERTAR, COIMBRA]

 

 

20
Fev19

Memórias desventradas


pequenos nadas

Como não podia deixar de ser, não deixaria a terra sem visitar o Parque D. Carlos I, onde se situa o Museu de José Malhoa, abrigando as obras do pintor Naturalista.

            Trata-se de um jardim para sonhadores que desposa o antigo hospital termal, erigido durante o reinado de D. João V. Não admira, pois, que outrora tivesse sido um local de passeio e restabelecimento de pacientes. Hoje, fruto de reconversões várias, apresenta-se com uma enorme beleza paisagística, onde sobressaem harmoniosas alamedas e um lago central artificial, onde nadam belos cisnes que nos olham altivos. Encontram-se, também, aí postadas sublimes estátuas de Leopoldo de Almeida e Soares dos Reis.

          Toda esta beleza se transforma em pesadelo, quando das suas portas de entrada se lobriga, um edifício majestoso em ruínas. Nem mais nem menos que os míticos, dizem-me, pavilhões do primeiro Hospital Termal do Mundo, – fundado em 1484 por ordem da Rainha D. Leonor.

            Sempre que tal acontece, o meu coração baqueia por expirar raiva. Por que motivo, pergunta-se, perece, por incúria, muito do património edificado do País carregado de história e memórias? Que País este e que políticos tais! Dizem-nos, – será que quero acreditar (!), – da abertura, em 2020, de um hotel de 5 estrelas, investimento de 2,5 milhões de euros, a fazer pelo município. Será?

            Quando voltar, aqui, gostava que assim fosse. Se não for o caso, vou gritar para que soe por todo o jardim, por todo o lado. Vou bradar ao povo mole, à classe política incompetente e desleixada. Direi: o meu voto nunca será vosso, Queres fiado, Toma!

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[ Foto de António Inácio C. Nogueira]

 

 

 

 

 

 

 

 

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