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CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

25
Mar18

101 Anos, Parabéns Amigo!


pequenos nadas

 

 

          Meu Caro

 

            Parabéns e que faças muitos mais. Apesar da tua avançada idade, estás bem de saúde, andas pelo teu pé e tens ainda o vigor da velhice lúcida. Apesar de viveres num mundo em mutação célere, não te perturbam as ondas que nos inundam, o poder da cibernética, as redes sociais efusivas e quantas vezes decisivas, o ruído que perpassa o espaço, o caos e o acaso.

            Vejo-te sempre pronto a estudar. Tu és o paradigma do ditado popular, «aprender até morrer». É a tua forma de estar, numa época em que o homem é coagido a conciliar, num todo, o racional e o intuitivo. Tem de aprender a imaginar, raciocinar, recriar, praticar, descobrir, experimentar, investigar, inovar, acreditar e amar, qual caldeirada, por vezes, dissipada no cosmos e no nada. Como tu ainda consegues resistir e apresentas, sobre isso tudo, reflexividade tamanha!

            A era da informação está aí, e tu, meu caro amigo, encaras a nova problemática com lucidez, apesar da tua longa idade. Eu fico pasmado, de boca aberta até, ao ouvir-te falar da era digital, era do conhecimento, do virtual, do incorpóreo, do ciberespaço, do proconsumo, do sef-help, do vazio, da idolosfera, da infosfera, da tecnopolia, da irracionalidade.., palavras que eu próprio, desconhecia, vindo a saber, mais tarde, terem sido investigadas por Pierre Lévy.

            Encontrei-te sentado, no teu cadeirão puído pelo tempo, numa das últimas visitas que te fiz, daquelas habituais, sempre confortantes, pelo aprendizado havido e discutido. Vi-te com um livro nas mãos sobre cibercultura, nele basicamente marcada pelas redes telemáticas, pela navegação planetária da informação e por formas de sociabilidade on-line, temas que, só mais tarde, em trabalho de doutoramento aprofundei. Pasmei! Que posso mais esperar de ti? Que nos fales sobre a Internet realçando as relações à distância entre pessoas sem rosto? Sobre o novo sujeito comunicacional? Sobre o ciberespaço e os novos grupos humanos? Vá, fala, fala, sobre isto tudo…

            Sei também te incomodarem o terrorismo, as ameaças transnacionais e a segurança. Anda, anda, diz-me porquê?

            Tivemos, meu amigo velho, há muito pouco tempo, uma forte discussão sobre tudo isso. E o que tu sabias sobre a proliferação das armas de destruição massiva, o crime organizado transnacional, a degradação do ambiente! Por vezes, tive de me calar para não te exibir tanta ignorância!

            Só ainda não ouvi da boca o meu amigo, o que é invulgar na sua idade, uma palavra sobre o silêncio, baluarte erguido contra do ruído que perpassa a sociedade actual. Será desinteresse por um assunto, para mim tão caro, na provecta idade que respiro? Porventura esquiva-se à discussão sobre a problemática, sabendo que o silêncio já lhe dói, e a solidão o envolve?

            Recentemente, apresentei-lhe o problema. Comecei a dissertar, enquanto o meu amigo, de 101 anos, me escutava atentamente! …

            Argumentava eu:

            «Percebi que tinha uma enorme necessidade de silêncio. Então, falo com ele de modo a aproveitar todo o seu potencial. Sabes que a natureza fala comigo através do silêncio, e, quanto mais silencioso eu fico, mais ouço? O silêncio da natureza tem o máximo valor, para mim é claro, e é aí que me sinto mais à vontade. Tenho, no entanto, a convicção de que o silêncio é sobretudo uma ideia. Uma noção que cada um tem de criar para si. Eu já criei a minha!».

            Amigo, atenta-me só mais um bocadinho:

            «Andar a pé não é uma coisa transcendente, mas tem, para mim, o seu valor. Faço uma hora de caminhada diária, e, durante esse período, sou capaz de desligar-me do mundo e não ouvir ruído. Gosto da ideia de um Deus que esteja contido no silêncio. A poetiza Emily Dickinson ensinou-me que “o cérebro é mais vasto do que o céu».

            O meu amigo ouviu, ouviu, sempre em silêncio. De repente, levanta-se da sua cadeira, “com cara de poucos amigos”, fita-me bem nos olhos, prenúncio de que estava farto da minha retórica, e, lá vai disto:

            «Blá, Blá, Blá, pára lá com isso tudo. Já li o livro, Silêncio Na Era do Ruído de Erling Kagge, e está lá plasmado tudo o que o teu discurso proferiu. Será que não foste influenciado por ele? Digo-te, és muito egoísta, só falas do teu silêncio, e o dos outros? O dos deserdados da vida, dos sem – abrigo, dos refugiados que fogem da guerra e da fome, e de tantos outros… com elevados sinais de pobreza, multiplicando-se, neste mundo cada vez mais desigual Que preocupações por eles demonstras? Nenhumas, nada de nada».

            Fiquei estupefacto, envergonhado… e, na primeira oportunidade, mudei de assunto. «Velho, vamos lá beber uma taça e “cantar os parabéns a você”».

            Assim foi.

            Ofereci-lhe, depois, um poema meu, feito a propósito, resultante da minha arte de «poetar», sem pretensões, que ele por vezes aprecia. Li-lho e ouviu, pareceu-me com interesse, tentando, porventura, percepcionar o seu conteúdo. Depois acrescentou: «está lá tudo, tudo o que diz respeito ao mundo actual, saibamos interpretá-lo!...».

 

 

A Torrente da Vida

 

Estrela candente destruída,

Corpo sem peso, liberdade,

Vazio, constelação sem vida,

Inércia, imponderabilidade.

 

Universo perdido,

Big-Bang oculto,

Pulsar pressentido,

Quark vulto.

 

Estrelas novas, nebulosas,

Acaso, caos, probabilidade,

Cometa azul, spin quase rosa,

Turbilhão, falsa verdade.

 

Moléculas multiplicadas,

Câncer, átomos visionários,

Constelações vendidas,

Planetas estacionários.

 

Orbital vazia, electrão expatriado,

Núcleo nu, protão p’ra frente.

Ruptura, futuro magoado,

Passado – presente, ligação doente.

 

Relação ciberespaço/energia,

Cibernética, virtual nascente,

Terror, incitação por magia,

Torrente, a vida da gente.

 

Despedi-me, do Bom e Sábio Velho, com um forte abraço, e disse: «Até sempre, amigo O DESPERTAR. Até para o ano. Espero estar presente no teu aniversário!»

[Aniversário do Jornal O Despertar, António Inácio Nogueira, 2018]

21
Mar18

Cafés Portugueses, Tertúlias e Tradição


pequenos nadas

 

 

            Foi através de Victor Marques, gerente do Café Santa Cruz, que me caiu nas mãos o livro Cafés Portugueses Tertúlias e Tradição, título a fixar, uma edição dos CTT.

            Ao folhear a obra, deparei-me com um volume de edição cuidada, pleno de fotografias, umas recentes, outras mais antigas, pertencentes aos anais dos cafés apresentados no volume, memórias que urgia preservar e divulgar. Se não fosse este livro, porventura se perderiam nos arquivos mortos, já desbotados e dispersos pelos baús velhos das instituições em apreço, até que alguém, mais descuidado ou desinteressado do passado, os deitasse borda fora, como acontece em inúmeras circunstâncias semelhantes.

            Entremeadas com essas gravuras sobressai uma escrita escorreita, perceptiva e acessível a todas as classes culturais. É difícil escrever deste modo, mas não o é para Samuel Alemão, um homem com elevada especialização académica na área que cultiva e pratica: - o jornalismo sério e intenso que já tive oportunidade de apreciar no Público, na Capital, Notícias Sábado e Revista Vinhos. É também director d´O Corvo (ocorvo.pt), “sítio que acompanha a actualidade da capital portuguesa desde 2013”.

            Redige como eu gostaria de escrever, se tivesse o seu engenho e arte. Escreve sobre 39 cafés, situados ao longo de todo o país, de norte a sul e regiões autónomas, todos eles fazendo parte dos rituais e da lembrança de muitas gerações de portugueses. Trata cada qual expressando a história, a cultura específica, as memórias, os espaços do edificado, o status cultural e social dos seus utentes, as figuras proeminentes que os frequentam ou frequentaram. Um trabalho ciclópico, rigoroso, histórico – sociológico. E posso asseverar o que afirmo, ao ler o que foi escrito sobre a Brasileira de Braga, Majestic Café do Porto, Pastelaria Gomes de Vila Real, a Brasileira do Chiado, o Café Nicola e a Pastelaria Suíça de Lisboa, Café Santa Cruz de Coimbra, e Águias Douro de Estremoz, onde, por várias circunstâncias neles fiz uma peregrinação de vivências. Ao vaguear por todos rememoro tanta gente que me acompanhou, ensinou e compartilhou momentos bons e maus da vida. Ainda retenho os cheiros, os barulhos de cada um, o gosto do café, e a pastelaria de encher o olho que alguns exibiam.

            Deixo para o fim tudo o que o meu actual café (o Santa Cruz naturalmente…), me proporciona: espaço de meditação, lugar de leitura, encontro com algumas pessoas de quem gosto, silêncio ou bulício que me despertam todas as manhãs.

            Samuel soube reverter para o papel deste livro arrebatador as vivências que foram minhas, e as que foram de muitos outros. Por isto considero esta obra um retrato autêntico de instituições que cunharam, e muitos ainda o fazem, a vida social, cultural e política do pais. Tenho pena que alguns estejam hoje agonizantes, fruto da concorrência mascarada e desleal de espaços ditos expressivos (socializadores) da globalização hoje em voga, que não frequento porque me abalam o ânimo…

            Samuel Pombo e os CTT desempenham, sem dúvida, o papel de actores concentrais deste livro: um pela idoneidade do discurso, outro pelo apoio que deu à sua publicação.

            Mas o seu a seu dono. Victor Marques é, porventura, a figura fulcral deste trabalho. Arrisco mesmo a considerá-lo o mais importante: - pela pesquisa prévia efectuada, pelo projecto inovador que forjou, e pela forma como conseguiu aglutinar as vontades dos proprietários de todos os outros cafés.

            A terminar, desafio os meus leitores a visitar este livro – não sairão defraudados.

[ O DESPERTAR, António Inácio Nogueira]

13
Mar18

Com a Devida Vénia a Pedro Afonso


pequenos nadas

Artigo de Pedro Afonso - Médico psiquiatra         ( publicado no Público )

Pedro Afonso, m?dico psiquiatra no Hospital J?lio de Matos

Pedro Afonso, médico psiquiatra no Hospital Júlio de Matos

 

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas
esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.

Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo
epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da
Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No
último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença
psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas
perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com
impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência,
urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das
crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens
infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos
dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos
os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na
escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos
terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade
de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural
que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos,
criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze
anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100
casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo
das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres
humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas
sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém
maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa,
deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos
ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de
alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez
mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença
prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e
produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de
três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a
casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma
mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão
cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três
anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de
desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho
presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela
falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição
da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual,
tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar
que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês,
enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à
actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e

complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de
escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando
já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com
responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos
números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de
pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um
mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de
um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o
estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se
há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma
inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra

 

  
  
 
  
  
  

 

05
Mar18

TESTEMUNHOS. Quem Olha Por Ti, Património Nosso


pequenos nadas

 

 

            Há uns dias, vi, num dos nossos canais televisivos, um programa, por acaso bem estruturado, sobre o estado de conservação em que se encontra algum do nosso património edificado com História e memória. Fiquei impressionado com o que vi, um verdadeiro tsunami cultural, um desastre imperdoável. O que aconteceu ao Forte de Santo António da Barra, um dos admiráveis complexos da barra do Tejo, e ao Mosteiro de São Dinis de Odivelas (ou, simplesmente, Mosteiro de Odivelas, como é mais conhecido), impressionaram-me. Quase verti lágrimas de desespero! Pieguice minha? Não.

            Pouco me importa saber, agora, quem deixou que se fizessem tais barbaridades. Sei que estes atentados são feridas que se abrem, e, dificilmente saram, crimes contra o património, – há que encontrar os seus autores.

            O Forte de Santo António da Barra era uma fortaleza militar de defesa da costa, mandado construir por Filipe I e, amplificado, por D. João IV em 1643. Tem uma arquitectura militar renascentista, estrelada, o que aumenta a sua beleza e a sua utilidade militar. Ergue-se num maciço rochoso, de onde se lobrigam vistas deslumbrantes e, contra o qual, as ondas se enovelam. Quem percorre a bela Marginal, na direcção de Cascais, vislumbra-o ao longe, imponente. Edifício cheio de história, por isso imóvel de Interesse Público. Foi durante muitos anos a residência de Verão e de férias de Salazar. Ali tombou, de uma cadeira de repouso, facto que levaria ao seu afastamento da governação. Em 1970 e fruto desta ocorrência morre. Foi a grande sapatada na ditadura.

 

            Hoje é um mundo de tudo e de nada. De portas escancaradas é, permanentemente, devassado, destruído, roubado, vandalizado, – só as imagens nos percepcionaram o seu estado. Hospedo de drogados, garrafas e seringas aos montes, grafittis por tudo o que são paredes, divisões conspurcadas e aviltadas. Os valiosos azulejos, que antes agasalhavam as paredes, cobrem agora o chão, estilhaçados. Muitos outros foram roubados. As portas dos compartimentos estão abertas e abatidas, os vidros partidos. Até a capela não escapa a este vendaval patrimonial. Do forte militar, soberbo, de outrora, já pouco resta. A mutilação de um espaço, com mais de 400 anos de História, está aí, à vista.

 

          O Mosteiro de São Dinis de Odivelas ou Mosteiro de Odivelas, da Ordem de Cister, foi outro dos monumentos cujo estado de não preservação me impressionou, como já supradito. Fundado em finais do século XIII, é, um agrupado de arquitectura religiosa, qualificado, desde 1910, Monumento Nacional. D. Dinis, o ergueu, também empenhado semeador de pinhais, do Pinhal do Rei, património natural, agora, destruído, devido a desmazelo afim.

            É, um monumento, de beleza impressionante, onde, o estilo gótico, manuelino, barroco e neoclássico se casam. Destaque-se, a antiga cozinha e o refeitório, bem como os claustros originais, quinhentistas, – Claustro da Moura, de dois andares, e Claustro Novo, ornado com azulejos do século XVII. Na capela absidial, do lado do Evangelho, localiza-se o túmulo de D. Dinis, da primeira metade do século XIV, importante monumento da tumularia medieval portuguesa (muito danificado pelo terramoto de 1755 e pelas invasões francesas).

               Muitas destas preciosidades patrimoniais, nunca é demais repeti-lo, estão hoje à mercê de mãos alheias, em estado muito precário de conservação, e, vandalizadas, com prejuízos e percas patrimoniais elevados.

            Esquecer é o verbo contrário de memoriar, e, o «presentismo» que se vive, leva muitos a descurar o passado, logo, a considerar coisa pouca esta degradação criminosa.

             Há hoje um ataque à memória; melhor que o presente não há, diz-se. O futuro, então, é a miríade de todas as coisas. Não se fala o património cultural como um elemento da identidade nacional. Esta racionalidade ainda não existe por cá, só assim se compreende esta ruína.

            Tratar o património material e imaterial, em diálogo com a criação contemporânea, é doutrina nas convenções do Conselho da Europa. Por aqui, «orelhas moucas».

[ in Jornal O Despertar de Coimbra, António Inácio Nogueira]

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