Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

15
Ago18

A Vida e o Fim da Vida.


pequenos nadas

TESTEMUNHOS. A Vida e o Fim da Vida.

 

            Houve dois acontecimentos recentes que me tocaram sobremaneira.

O primeiro, pelo contentamento que me deu. O segundo, pela tristeza em que me envolveu.

I

            A dita cidade do conhecimento – que parece andar, em permanência, a questionar-se sobre a sua identidade e futuro –, como já o afirmei por diversas vezes, pode agora orgulhar-se de ter sabido organizar, com sucesso, os Jogos Europeus Universitários. E não foi coisa de pequena monta!

          Houve múltiplas organizações envolvidas, das quais destacamos, a universidade, câmara municipal, associação académica, alguns patrocinadores, um apoio significativo do estado, tendo a parceria contribuído com um orçamento de 5 milhões de euros.

            O evento desportivo utilizou 14 recintos e outros espaços, houve infra-estruturas desportivas requalificadas, daqui resultando, por exemplo, um reanimado estádio universitário e um ressurgido pavilhão Jorge Anjinho.

          Estiveram presentes cerca de 4000 atletas – que transmitiram à cidade um bom ambiente –, 1000 voluntários (valor de que não há registo em Portugal em eventos desportivos). Relacionado com estes números, há a realçar a entrada em competição de 300 universidades de 40 países, 500 treinadores e 300 árbitros. Houve 13 modalidades em disputa de medalhas durante duas semanas.

            As informações recolhidas afiançam que os jogos foram um modelo de gestão escrupulosa, o que é de salientar, já que se tratava do maior evento multidesportivo já realizado em Portugal. Só como exemplo, salienta-se a existência de uma central de informações a funcionar 24 horas por dia. Pena foi que uma informação mais aprimorada não passasse para o exterior, modo de fazer cooperar a população da cidade de uma forma mais empenhada. Jogos houve que bem mereciam outra participação dos cidadãos. Ou Coimbra está alheada de tudo, de quase tudo, desmotivada?

            E agora, caros leitores, vamos à última consideração: perante uma organização desta natureza e grandeza, não seria curial que a imprensa, rádio e televisão nacionais, propiciasse uma informação diária proporcional à `dimensão dos jogos? Parece não ter sido cumprido este desiderato. Ai se fosse em Lisboa!? …

            Mas fica o que importa. Parabéns à organização e aos patrocinadores. Congratulações à nossa Associação Académica de Coimbra pelo empenho organizativo demonstrado e pelo número significativo de medalhas conquistadas pelos seus atletas. Coimbra é Capaz. Vamos Coimbra…

            Obs: os números acima apresentados carecem, para serem rigorosos, de estudos estatísticos finais

II

          Não vou repetir tudo o que já se disse sobre João Semedo, o homem que tão cedo abalou, sabe-se lá para onde, aos 67 anos, acorrentado a uma doença grave e dolorosa, sabiamente enfrentada sem medo e perseverança. Assim pensando, vou sublinhar, apenas, os traços de vida que mais me impressionavam no João.

            Médico de profissão, viveu em permanente inquietação –, só assim se justifica que tenha efectuado um dos seus últimos discursos já sem cordas vocais (que vontade férrea)! Intervenção a recordar, sempre, demonstrativa de uma força de alma muito para além do que é habitual, a causar engulhos a todos os «videirinhos» que medram na política.

          Foi, pois, um homem dedicado à causa pública e portador de uma vontade cívica elevada até ao último suspiro, factos que lhe conferiram uma dimensão maior.

            Esteve sempre «com os de baixo», com os pobres, com todos os que não têm voz, porque não são poderosos. Falava por eles, uma opção de vida com uma componente de missão, porventura revolucionária. Era um homem combatente, um lutador persistente.

            A defesa do Serviço Nacional de Saúde foi uma das suas grandes missões em parceria com o criador do SNS, também recentemente falecido. Ainda há pouco tempo, travou uma das últimas batalhas com a feitura e apresentação de uma nova lei de bases que refundasse o serviço de saúde pública.

            Tinha admiração por este homem. Pela frontalidade e elegância no debate. Pela intensidade da convicção. Pelo respeito que nutria pelos contrários.

          Em pouco tempo morreram dois dos políticos que mais admirava: um António, outro João. Até.

[ António Inácio Nogueira, in O DESPERTAR]

10
Ago18

Para Ficar Por Cá Mais Uns Tempos!


pequenos nadas

TESTEMUNHOS. Para Ficar Por Cá Mais Uns Tempos!

 

DSC00062.JPG

 Pombas na Rede Rota - Rio Mondego.

 

 

 

            Estive para não escrever nada sobre o acontecimento que vou expor. Depois de reflectir bastante, resolvi dá-lo a conhecer aos meus leitores.

            Já lá vão uns dias.

            No passado dia 15 de Julho de 2018, em plena Avenida Fernão de Magalhães, fui acossado por uma dor forte, excessivamente aflitiva, que me pareceu ter começado no ombro esquerdo alastrando, apressadamente, de tal sorte que toda a zona do coração ficou tomada. Pressenti que perdia o equilíbrio e a respiração tornava-se ofegante e difícil. Nunca tinha sido confrontado com tamanha intensidade de dor, não a sei descrever, era insuportável. Cambaleando dirigi-me à praça de táxis que fica junto à Rodoviária, e pedi a um taxista que me transportasse a Monte Formoso, onde, de certo, se encontraria a minha mulher para me levar, com a rapidez possível, ao serviço de urgência da Idealmed. Seriam 11 horas da manhã. Por aí.

            Os serviços fizeram um acolhimento rápido, eficiente e desembaraçado –, medicação imediata, exames e oxigénio necessários, consulta por um cardiologista que decide chamar o INEM e colocar de alerta os serviços de cardiologia dos HUC. A ambulância chegou breve: Pareceu-me bem equipada e com pessoal muito competente. Entro nas urgências e sou encaminhado, de imediato, aos serviços de cardiologia.

             Aí terei a melhor das surpresas, face à minha apreensão de encontrar um serviço menos eficiente, porventura anárquico, pois as notícias postas em jogo sobre o SNS, ultimamente, não deixavam prever coisa boa: sem o número de profissionais suficientes e competentes, estruturas físicas em estado de degradação…

            Cheguei perto das 18 horas. O que encontro eu, o que vejo eu!...Uma equipa jovem, eficiente, competente a decidir. Gente solidária, proferindo palavras certas ditas nos momentos certos, gestos acolhedores e animadores.

            Após uma análise cuidada aos documentos que lhe haviam sido apresentados pelo INEM, que relatavam a história da situação médica do eu paciente, foi enunciada uma deliberação, – sou levado para sala de intervenções, a fim de efectuar um cateterismo. Fico nas mãos de médicos que se vêm a revelar competentes, dando-me um permanente ânimo explicando o que vão fazer e para quê. Intervenção bem sucedida. Passo para o lugar de estabilização. Às 21 horas tenho alta.

            Põem-me na mão um conjunto de relatórios circunstanciados que marcam a história desse dia, deixando-me perplexo pela minúcia que encerram. Sou medicamentado pela jovem cardiologista que acrescentou na despedida: «foi tudo muito rápido, senão a coisa podia ter sido complicada». Agradeci e saí para convalescença em casa, pensando para com os meus botões: «desta safei-me e bem!»

            Sortudo dirão uns, milagre dirão outros, ou, foste no momento feliz. Não sei como classificar o instante, afirmo que foi um ensejo venturoso. É que no momento em que SNS está debaixo das críticas generalizadas, eu só posso deitar foguetes. Obrigado a todos, taxista, família, médicos, enfermeiros, auxiliares –, não os apresento pelo nome não vá algum sumir-se nas profundidades da minha memória.

            Repito o ensejo já acima descrito. Diz-se mal do SNS, pela sua organização, falta de profissionais de saúde competentes, má gestão, carências financeiras, instalações degradadas. Aceito as críticas só por quem conhece as debilidades, as viveu e reflecte sobre elas. Eu apanhei a sua parte boa e eficiente. Porventura encontrei o oásis no meio do deserto Um oásis no deserto, Para Ficar Por Cá Mais Uns Tempos!

[in O Despertar, António Inácio Nogueira]

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D