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CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

26
Fev19

Museu da Cerâmica das Caldas da Rainha


pequenos nadas

Fui às Caldas da Rainha, cidade que aprecio, fundamentalmente, pela beleza e criatividade do seu património artístico, muito centrado na designada cerâmica caldense.

             Para além do passeio, desloquei-me com o intuito de visitar o Museu da Cerâmica das Caldas da Rainha.

             Após ultrapassar várias dificuldades, não esperadas, para o encontrar, – pela desajustada orientação minha, acrescida pelo desconhecimento de habitantes da própria cidade a quem pedia auxilio (!), – achei-o bem escuso nos belos jardins que o rodeiam, dizem, de valor patrimonial e paisagístico elevado. No interior de um palacete lá se quedava a exposição permanente que me interessava sobremaneira visitar.

            De acordo com o conteúdo de apresentação, o acervo do museu integra diversas colecções representativas da produção das Caldas da Rainha dos séculos XVII e XVIII e núcleos da produção do século XIX e primeira metade do século XX.

             Mereceu-me um olhar especial o fundo de obras da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro, um agrupado de alto gabarito artístico daquele que foi o grande mestre da cerâmica caldense.

            Este museu é representativo da intensa laboração da Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, entre 1884 e 1905. Presenteia, também, a nossa curiosidade, um grupo de faianças da Real Fábrica do Rato, de olaria tradicional e de produção local de escultura e miniatura dos séculos XIX e XX. Destaco ainda, para meu gosto, uma colecção de 40 peças contemporâneas, ilustrativas de design e produção de cerâmica e vidro do século XX. Apreciei, – apesar de concluir da penúria do enquadramento expositivo das magníficas peças que mereciam pousar em lugares mais dignos.

Seguem-se as fotografias das peças expostas que mais apreciei:

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[Texto e fotos de António Inácio C. Nogueira]

22
Fev19

BANDAS FILARMÓNICAS


pequenos nadas

TESTEMUNHOS. Bandas Filarmónicas: Conservatórios do Povo.

 

          Fico contente, ao mesmo tempo, magoado e constrangido, sempre que vejo desfilar uma Banda, à minha beira, ou, assisto, a um concerto por uma Orquestra Sinfónica.

          De entre os diversos instrumentos tocantes enxergo alguns que me cativam, sobremaneira, pois foram esses os mais experienciados pelo meu pai e, muitos outros, familiares próximos. É, também, nessas alturas, que refresco a memória, recordando o pai a ensinar-me o solfejo e a descoberta da leitura da música. Marcava-me trabalho diário que raramente fazia, aprontando como desculpa as mais excêntricas histórias. Porventura pela forma ou pelo jeito utilizado para me ensinar ou motivar, sempre resisti, com veemência, apesar de reconhecer a sua sábia e exímia forma de tocar e manejar o violino e o trompete. Hoje sinto um vazio incontido por não ter recebido, de bom grado, aquelas ordens inflexíveis.

           De forma a sublimar esse estado de alma, quiçá arrependimento, tentei incutir esse prazer nas minhas filhas, pois pressentia possuírem dotes para tal, Fui de todo mal sucedido, – quiçá reminiscências do meu ADN.

           O pai e alguns dos familiares mais próximos, como já acima relatei, pertenceram à Banda Filarmónica de Paços da Serra, nutrindo, todos, pela música uma paixão inata, – assim digo, se não for heterodoxia para as artes da Psicologia e da Sociologia.

            Todos eles, como músicos e como pessoas, devem muito àquela Banda Filarmónica.

            Com a aprendizagem inicial ali recebida, o pai, foi aperfeiçoando a sua prática chegando a pertencer à Banda do Exército, de grande prestígio nacional. Prova de que alguns destes aprendizes singraram, posteriormente, noutras paragens, fazendo carreiras brilhantes em múltiplas e facetadas lides culturais ligadas à música.

            Quase sempre de raiz popular criaram, as bandas, no seu seio, centenas de escolas de música, frequentadas por milhares de alunos. Por esse motivo, e, justamente, vieram a ser apelidadas, por alguns, de “Conservatórios do Povo”.

             Estes centros de aprendizagem da arte, foram, e são, um recurso nobre, um alfobre de músicos, muitos deles pertencentes a classes sociais bem desfavorecidas. Aí aprenderam prática de instrumentos, ensino, arranjo e composição, e, nalguns casos, direcção de orquestra. Pelas Bandas Filarmónicas passaram, e ainda passam, alguns dos melhores músicos de sopro do país.

          As Bandas Filarmónicas são um bom exemplo de centros de socialização local e intergeracional. Nelas podem conviver e aprender, a seu ritmo, três gerações: avós, filhos e netos de qualquer estrato social. Neste quadro socializante, cultivam, ainda, a igualdade de género, não existindo destrinças entre homens e mulheres. Pode-se, assim, afirmar que, desde há muitos anos, pertencem ao povo, alfabetizaram-no, até, em muitos casos.

            As Bandas Filarmónicas, são e foram, inequivocamente, verdadeiras associações de animação cultural e social da sua comunidade. A animação musical, o teatro, o desporto e, até, o ensino da instrução primária, estiveram e estão presentes.

           Enfim, nos meios rurais, e, privilegiadamente, de há 150 anos para cá, a Banda Filarmónica foi o refúgio que dava alento à pobreza e onde se aprendia a tocar, a ler, a escrever e a contar.

             Foram e são um oásis de democracia. E tudo realizam, quase sempre, sem ajuda do poder público.

          Faço, por último, as devidas vénias às Bandas Filarmónicas deste país, em especial à Banda Filarmónica de Paços da Serra, que ajudou muitos dos meus familiares a ser músicos e homens de verdade.

            Pela minha parte, peço desculpa à música e a quem a pratica por não ter sido capaz, por falta de querer, de a aprender, dando continuidade a uma família de bons praticantes.

          Salvo-me, possivelmente, por ser, hoje, um bom admirador de música sinfónica, onde revejo diversos instrumentos musicais com a nostalgia de quem não os quis descobrir.

             Neste propósito vou doar, à `Banda Filarmónica de Paços da Serra, documentação musical de real valor patrimonial e histórico, pertença do meu pai.

[ António Inácio C. Nogueira, in Jornal O DESPERTAR, COIMBRA]

 

 

20
Fev19

Memórias desventradas


pequenos nadas

Como não podia deixar de ser, não deixaria a terra sem visitar o Parque D. Carlos I, onde se situa o Museu de José Malhoa, abrigando as obras do pintor Naturalista.

            Trata-se de um jardim para sonhadores que desposa o antigo hospital termal, erigido durante o reinado de D. João V. Não admira, pois, que outrora tivesse sido um local de passeio e restabelecimento de pacientes. Hoje, fruto de reconversões várias, apresenta-se com uma enorme beleza paisagística, onde sobressaem harmoniosas alamedas e um lago central artificial, onde nadam belos cisnes que nos olham altivos. Encontram-se, também, aí postadas sublimes estátuas de Leopoldo de Almeida e Soares dos Reis.

          Toda esta beleza se transforma em pesadelo, quando das suas portas de entrada se lobriga, um edifício majestoso em ruínas. Nem mais nem menos que os míticos, dizem-me, pavilhões do primeiro Hospital Termal do Mundo, – fundado em 1484 por ordem da Rainha D. Leonor.

            Sempre que tal acontece, o meu coração baqueia por expirar raiva. Por que motivo, pergunta-se, perece, por incúria, muito do património edificado do País carregado de história e memórias? Que País este e que políticos tais! Dizem-nos, – será que quero acreditar (!), – da abertura, em 2020, de um hotel de 5 estrelas, investimento de 2,5 milhões de euros, a fazer pelo município. Será?

            Quando voltar, aqui, gostava que assim fosse. Se não for o caso, vou gritar para que soe por todo o jardim, por todo o lado. Vou bradar ao povo mole, à classe política incompetente e desleixada. Direi: o meu voto nunca será vosso, Queres fiado, Toma!

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[ Foto de António Inácio C. Nogueira]

 

 

 

 

 

 

 

 

18
Fev19

Jardim D. Carlos I, Caldas da Rainha


pequenos nadas

Trata-se de um jardim para sonhadores que desposa o antigo hospital termal, erigido durante o reinado de D. João V. Não admira, pois, que outrora tivesse sido um local de passeio e restabelecimento de pacientes. Hoje, fruto de reconversões várias, apresenta-se com uma enorme beleza paisagística, onde sobressaem harmoniosas alamedas e um lago central artificial, onde nadam belos cisnes que nos olham altivos. Encontram-se, também, aí postadas sublimes estátuas de Leopoldo de Almeida e Soares dos Reis.

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[ fotos de António Inácio C. Nogueira]

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