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CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

29
Abr19

MOÇAMBIQUE UM ITINERÁRIO PARA O SILÊNCIO.  


pequenos nadas

TESTEMUNHOS. 

 

            Os reparos do mundo ainda afluem para a cidade da Beira, para outras vilas na província de Sofala e para as circundantes Tete, Manica e Zambézia, avassaladas por uma crise humanitária estonteante, provocada pela passagem do ciclone «Idai». Há quem diga que o ciclone destruiu noventa por centro da cidade da Beira, a segunda cidade de Moçambique, e que é preciso (re) erguer tudo noutro lugar.

            O que mais custa é enxergar, de tão longe – perto, a pobreza das gentes que a nossa vista alcança. São sempre os mais vulneráveis a sofrer na pele e nas entranhas as consequências dos desastres. Olhem as aldeias do mato, onde vivem os miseráveis por quem ninguém se interessa, excepto nestas alturas em que é preciso mostrar solidariedade, como foram arrastadas pelas enxurradas!...Os esfarrapados, homens, mulheres e crianças, tudo perderam, bens e família. Ganharam, como sempre, um cardápio de doenças graves, desgraçadamente, diarreias e casos de cólera, tosse convulsa, pneumonia, tuberculose e muitas outras. Para além de todas estas, há também as de origem hídrica, já que existe o defecar a céu aberto, – pois onde fazê-lo? -, o consumo de água indecorosa, caldeada com fezes, que pode estar na génese da cólera.

            Em suma: ficar sem nada é o destino, não ter tecto, ter fome, ter sede, caminhar pela lama, pedir, o quer que seja, para a família que na dura jornada lhes morre de fome e de doenças infecciosas. Chegaram àquela condição que aprofunda o estado de pobreza que, agora, já ultrapassa todos os padrões estipulados pelas organizações internacionais.

            Os pobres, em bandos, desorientados, procuram um copo de arroz, meio litro de óleo, um cobertor, – óh meu Deus, o que mais, – que traz a ajuda internacional vinda de longe e de países ricos.

             Onde estavam eles antes da tragédia, e o seu país político onde estava? Ninguém tem culpas desta tragédia? É só a natureza? A natureza avisou em 2000. Minoraram-se as consequências da seguinte catástrofe? Não é sabido que na época de Fevereiro e Março, a costa moçambicana é atingida por ciclones? Como se precaveu uma cidade praticamente construída ao nível do mar?

            Quem quer responder?

            Sei que ficou medo e morte, ruínas e caos, mais miséria e fome, uma multidão de enfermos, desalojados do seu chão, órfãos, mosquitos da malária, epidemias de cólera…, seres humanos destroçados de tudo. Mesmo tudo.

             Quem acode a este mundo que se suicida? Ninguém.

            Um itinerário para o silêncio

 

10
Abr19

AS CANETAS AINDA NÃO ME ABANDONARAM.


pequenos nadas

 

            Escrevo muito, gosto de escrever, passo algumas horas a «rabiscar» nos meus «caderninhos», por exemplo, as coisas que redijo para este jornal.

            Nos dias de hoje será criticável e desactualizado escrever com caneta ou esferográfica, contrariando a tendência de usar o teclado e quando estão em palco as canetas digitais. No entanto, caro leitor, depois de edificar e dar corpo ao texto, uso o Word ou outras novas tecnologias. É aí que efectuo as últimas correcções e endereço, por e-mail, a quem de direito.

            Mas pensa o leitor que já exauriram as canetas, já nos abandonaram? Desiludam-se. A caneta, na contemporaneidade, ainda “é mais poderosa que a espada”, – ideia que surgiu em 1839 pelo entendimento do escritor e político britânico Edward – Bulwer – Lylton.

            Thomas Jefferson , terceiro presidente dos Estados Unidos, escreveu numa carta a Thomas Paine, repetindo o aforismo. Confirmava a necessidade de continuar a fazer com a caneta o que antes havia sido feito com a espada. (Leia-se o artigo, no Expresso, de Nuno Galopim, na Revista de 31 de Março 2019).

            E assim se fez. Olhem, com atento, as tomadas de posse dos nossos governos no Palácio de Belém. Há canetas ou não há? Sinal de poder ou de vaidade? E, já agora, reparem se o acontecimento se repete nos lugares de assinatura de grandes negócios ou de protocolos milionários!…

            A caneta continua a ser veiculo que fixa e comunica memórias, histórias, pensamentos, vã glória, também, o amor, os sentimentos mais nobres ou ignóbeis. E todos sabem que a caneta pode eternizar um acto, enquanto as novas tecnologias podem reduzi-lo a nada.

             Mas, na antítese, a caneta é uma companheira fiel que nos ajuda a estar só com a escrita. A caneta, para alguns, continua a ser um utensílio com que se escreve quase à velocidade da ideia. Depois é acarrear o que se redigiu ao tratamento definitivo, no computador ou noutras novas tecnologias.

            Há quem já não saiba escrever com uma caneta, há quem a considere um instrumento relíquia. Existem canetas caras, por vezes bordadas a pedras preciosas, autênticos mitos para alguns, realidades para outros. Existem de todos os preços, desde 500 euros a 20.000 euros, as cravejadas de diamantes e rubis, peças únicas, a cerca de 10 milhões de euros.

            Indigne-se leitor. É isso mesmo que deve fazer.

             Pode estar convicto de que muitas delas assinaram os documentos mais ignóbeis. Guerras, por exemplo, onde morreram milhões de pessoas.

            Esteja tranquilo leitor, eu uso canetas baratinhas…qualquer comum mortal pode possuir.

[ in O Despertar, António Inácio C. Nogueira ]

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