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CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

20
Jan18

Isabel de Aragão


pequenos nadas

rainha santa.jpg

 

 São Rosas Senhor! …

            Esta semana fui a uma livraria, como faço habitualmente, e procurei o livro de Isabel Stilwell, “Isabel de Aragão Entre o Céu e o Inferno a Rainha Que Portugal Imortalizou Como Rainha Santa”, Edição Manuscrito de 2017. Folheei e fiquei surpreso com a quantidade de livros sobre mulheres rainhas que a autora já publicou. Menciono: “D. Filipa de Lencastre”, “D. Catarina de Bragança”, “D. Amélia”, “Ínclita Geração Isabel de Borgonha” e “D. Teresa”, mãe do primeiro Rei de Portugal que repousa na nossa Igreja de Santa Cruz.

            Regressemos ao livro sobre a Rainha Santa, mulher que casou em tenra idade com D. Dinis Rei de Portugal, (monarca agora tão falado, pois ligado ao Pinhal de Leiria) e junto dele governou durante longos anos. Após o enterro do Rei, a Rainha Isabel fixou residência em Coimbra e tomou o hábito da Ordem de Santa Clara. Morreu em Estremoz para onde se havia deslocado ao tentar o apaziguamento de um diferendo de guerra entre familiares íntimos. O cadáver regressou a Coimbra por desejo próprio em vida. Foi canonizada e o “venerando corpo incorrupto” jaz em Coimbra, cidade que a adoptou como Padroeira. O povo ama-a, será a palavra ajustada.

             Não sou historiador encartado para poder aquilatar do valor histórico do livro da Isabel Stilwell, no entanto, a sua leitura deixa-nos à descoberta e à curiosidade uma mão cheia de lugares por onde Santa Isabel andou e dá-nos a oportunidade de conhecer o motivo porque esteve em Bragança, Trancoso, Sabugal, Coimbra, Alenquer, Santarém, Leiria, Lisboa, Santiago do Cacém, Portalegre, Arronches, Estremoz, Santes Creus, Poblet, Saragoça, Tortos, Tarragona e Barcelona. Encontramo-nos em presença de um rico roteiro histórico – turístico que nos pode levar a, quando da visita a estas terras, querer conhecer o que andou por lá a fazer a Nossa Rainha.

            Os meus leitores perguntarão qual a razão deste artigo e da divulgação de acontecimentos que qualquer cidadão de Coimbra conhece. Eu direi.

          Na igreja de Santa Clara, de Coimbra, existe uma imagem da Santa Isabel, feitura do bem conhecido e talentoso Teixeira Lopes. Em meu entendimento, é um trabalho de muito merecimento artístico, tanto de escultura como de pintura.

          Ao longo da vida fui-me afastando do culto religioso. Hoje não o pratico, por motivos que são meus, íntimos. Mas aquela imagem, aquela mulher, por que mexe tanto comigo? Por que a visito e contemplo, sempre extasiado, quando desce à Cidade por altura da sua festa? Por que fico arrebatado com aquele baloiçar ritmado no cimo do seu andor? Por que me resto silencioso e reverenciado quando a vejo passar na Ferreira Borges ao som cadenciado dos «bastões», batendo no chão todos à uma: páás, páás, páás?

          A sua beleza serena, a posição de humildade curvada, a dádiva ao outro que a posição das mãos fazem lembrar e as rosas caindo, simbolizando a perfeição, a genuinidade, o amor ao próximo, o coração que bate pelo pobre, a paixão que assoma, a beleza da solidariedade, o ressurgimento da vida e do saber (São Rosas Senhor!...), aliviam-me a vida.

             Não raras vezes, frente a frente, lhe dediquei versos, como qualquer apaixonado:

 

Rainha, porquê este expatrio ingente,

Que invadiu a tua portuguesa gente?

Olhai-os, em redor,

Clamando tanta afeição presente,

E sê, como sempre clemente.

Oferta-lhes a tua razão de existir permanente,

De repente.

(…)

 

[06.07.2012]

 

Respondi à vossa inquietação? Espero bem que sim.

 

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