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CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

07
Jan18

A Morte do Meu Gato


pequenos nadas

   

 

 Cheguei a casa, por volta das 12 horas, após a minha caminhada matinal. Sabia que o meu gato VIP se achava moribundo. Por esse facto, logo que entrei, fui ao seu encontro. Percepcionava encontrá-lo deitado no seu cesto, estrategicamente colocado junto à mesa redonda da marquise, coberto pela camilha, e recebendo os calores reconfortantes oriundos da braseira eléctrica.

            Descobri-o estendido, quase em posição de morte: a cabeça na almofada do cesto, e o resto do corpo na tábua da braseira, como que afagando os últimos calores reconfortantes das agonias do adeus. Com a consternação e a atribulação de quem se despede de um ente querido, facto que jamais cogitei me viesse a acontecer com um gato, olhei-o. Os seus olhos azuis estavam vazios de esperança; o seu já frágil coração desprendia convulsões que geravam suspiros profundos. Era a forma de encontrar os últimos alentos para prolongar a existência. Sentindo-o desconfortável aninhei-o no cesto, onde tantas sestas dormiu, para aí serenamente dar início à viagem sem retorno. Inesperadamente, puxou pelas últimas energias e voltou à posição inicial, bem esticado entre a tábua e o berço. Peguei-o e transportei-o para o escritório. Deitado a meu colo, olhava-me enquanto eu escrevia no computador tentando decifrar, pelo barulho do teclado, se lhe endereçava a última mensagem. Os seus olhos vidrados e já frios, pelo aproximar da morte, ainda me fitavam.

            Agradecia a vida que lhe proporcionei. Depois, estendeu-se bem, colocou as patas em jeito de resignação, deu dois suspiros profundos e morreu. Os seus olhos continuavam a olhar-me, com um misto de humildade e altivez.

            Morreu um dos meus companheiros fiéis.

            Não é ficção, é uma história verdadeira e sentida.

[ Veja-se este artigo e muitos outros escritos pelo autor do blog no Jornal O Despertar de Coimbra]

 

 

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