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CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

26
Jul18

Rua da Sofia ( Coimbra)


pequenos nadas

TESTEMUNHOS. Rua Da Sofia Será Que Porfia?

 

          Calcorreio todos os dias a Rua da Sofia, antiga artéria da Ciência e da Sabedoria, por isso a conheço bem. Foi aberta em 1535 e tinha, por detrás da sua arquitectura, uma largura incomum para a época, configurando, provavelmente, uma das maiores ruas da Europa da então contemporaneidade. A Rua da Sofia emergia por entre uma rede apertada e bem curvilínea de ruas estreitas, de onde em onde, recortadas por pequenos largos e becos.

            Porquê esta arquitectura inovadora, diferenciadora de tudo o resto em seu redor? É que se destinava a acolher os importantes Colégios da Universidade. Nesta via elitista foram construídos sete colégios e as suas igrejas, – os colégios do Carmo, da Graça, de São Pedro, de São Tomás, de São Bernardo, de São Boaventura e, também, o Colégio das Artes. Nos terrenos adjacentes estavam estabelecidos o Convento de São Domingos, o Palácio da Inquisição, e a Igreja de Santa Justa, mais recente, pois setecentista.

          Será, para todos os meus leitores, incontroverso que esta via larga viu nela desabrochar uma actividade académica de monta, formadora de elites, facto relevante e facilitador do distanciamento, durante séculos, das pessoas do urbano tradicional. Era, sem dúvida, uma cidade da erudição pouco interessada em se imiscuir com quem pouco sabia e tinha. Não se estranha que, só tardiamente, tenha sido aberta ao comércio comum, – a partir do século XIX. Hoje ainda existe, com pouca pujança é certo, albergado muitas vezes em edifícios históricos num estado de degradação pungente. Apesar de ter sido feita, nalguns deles, alguma recuperação, muitos dos colégios e suas igrejas revelam uma face arquitectural desleixada. Quem olha, longitudinalmente, a antiga artéria da sabedoria acolhe um pesadelo, – ainda mais, sabendo nós, que é património da UNESCO há cinco anos.

            No quinto aniversário da distinção, vê-se pouco, muito pouco!...

            Talvez por essa circunstância, e/ou da necessidade de esclarecer as pessoas sobre o valor patrimonial desta rua, Pedro Lamas e João Paiva, conceberam um “espectáculo em percurso”. É preciso agir já.

            Já, Já, digo eu. Ai, Ai, “Sofia meu amor!”

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