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CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

27
Jun18

Testemunhos. Editorial Indignação


pequenos nadas

 

 

            Persisto indignado com o que aconteceu a este País recentemente. Não suporto a ideia de que se queimou uma parte significativa: as suas matas, reservas de fauna e flora únicas, as suas aldeias, quase desertificadas onde só velhos indefesos viviam, mas carregadas de beleza rural e memórias indissolúveis de vida, as pequenas indústrias que ocupavam os poucos jovens resistentes a este interior transformado em periférico e desertificado. Não aceito que o fogo tenha penetrado nas vilas e cidades e ferido as suas zonas industriais. E os mortos? Mais de cem! Como foi possível espalhar tanta dor e tanta mágoa?

            O clima mudou, a seca é perigosamente avassaladora? O manto da floresta é uma autêntica granada? Os ventos fortes e «soões» transportam centelhas incendiárias a longas distâncias afogueando outros locais além? As matas possuem espécies vegetais que ajudam à propagação do incêndio? Há incúria humana de quem as habita ou vive delas? Tudo pode servir de atenuante para os contraditórios aos questionamentos expostos. Mas indulto não existe, já que há longos anos se conheciam as consequências, através de muitas das investigações realizadas, e as tecnologias de previsão disponíveis anteviam os piores cenários. Ah! Políticos destes País e dirigentes responsáveis pela segurança da administração pública e da sociedade civil, que fazeis vós?

            Gosto de visitar as livrarias, passear pelo meio dos livros, sentir a sua fragrância, olhar os escaparates publicitários, onde, às vezes, não vejo os melhores livros ou aqueles que foram feitos com muito trabalho investigativo (mas de autores pouco conhecidos...), mas enxergo «lixo editorial» exposto por motivos que todos conhecemos…

            No último Domingo, aguardando a hora do futebol da Académica, o meu clube (não escondo que gosto muito de futebol!), eis senão quando reparo num livro volumoso de 469 páginas ao módico preço de 4, 90 euro (!), edição Dom Quixote de 2006, sob o título “Portugal o Vermelho e o Negro” da autoria de Pedro Almeida Vieira, credenciado em ecologia, ordenamento do território, economia ambiental e poder local, jornalista em vários jornais de primeira linha e vencedor de diversos prémios de valor inestimável.

            Ao folhear o livro deparei-me com capítulos como o “Reino das Chamas”, “Fogo Libertário”, “Ondas de Inépcia”,“Culpar São Pedro, Pecar em São Bento”, “Os Anos do Carvão”, Das Fumarolas ao Fogo Infernal”, “O Striptese Florestal”, “No País do Faz-de-conta”, “Guerra Sem Norte, “O Império de Caos”, no “Reino do Fogo”, “Os Negócios Aéreos… e Invisíveis”, e também com documentos e tabelas bem elucidativas e com números incontroversos.

            Estamos, pois, perante um livro, de valia, que na altura do seu lançamento não foi apreciado (para quê lê-lo?). Agora, foi reposta a sua comercialização, num momento de procura previsível…em boa hora! Afinal, o que precisamos de saber está lá tudo, caros leitores! …

            À volta deste texto eu sentir-me-ia tentado a apresentar, há uns anos, enquanto professor que fui da Escola Superior de Educação, uma proposta de análise sociopolítica e cultural aos meus alunos. Eles seriam capazes de dissertar sobre o contexto e gizar um trabalho analítico em redor desta vasta controvérsia. Saberiam interrogar-se da razão porque estava tudo na mesma, na altura do desastre, e atrever-se-iam a aludir os culpados políticos e institucionais da catástrofe.

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