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CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

01
Mai18

TESTEMUNHOS. Ó Barca Serrana.


pequenos nadas

 Ó Barca Serrana.

 

            Quem se deslocar ao Parque Manuel Braga poderá deparar-se com uma Barca Serrana, junto ao Museu da Água, e bem perto da margem do Mondego por onde navegou.

            Já palmilhou o rio, levada pelos corpos suados de quem a fazia velejar. Hoje está ali, depositada, um pouco maltratada até, por falta de preservação adequada. A barca, elegante no seu porte, é fonte de observação e curiosidade de todos os amantes da cultura e património histórico do rio, que sempre pertenceu às memórias de Coimbra:- quer pelas grandiosas cheias invasoras, quer pelas secas que deixavam um areal imenso, atravessado, a custo, por pequenos fios de água. Por isso, o povo de Coimbra baptizou o seu rio, carinhosamente, de «Bazófias».

            Junto à barca foi colocado, em boa hora, um cartaz elucidativo que nos descreve, resumidamente, a sua história.

            “O rio Mondego foi no passado uma via fluvial muito importante”, elucida. Ensina depois: “As barcas serranas dedicavam-se ao transporte de mercadorias, num trajecto entre Penacova e a Figueira da Foz. O nome serrana deve-se ao facto de ir da serra carregada de lenha, carqueja e ramagem que era vendida para os fornos das padarias de Coimbra e Figueira da Foz. Para além destes produtos transportava também vinho, milho, azeite e carvão vegetal, terra e cal. Na volta vinha carregada de sal, peixe, arroz e louça.”

            A ideia pertenceu a alguém que não alinha só na demagogia do «presentismo». De louvar. Mas não chega: é preciso proteger e conservar, pois quem olhar para ela, observará que está um pouco doente.

            Eu tentei amenizar a sua febre compondo este tributo.

 

Barca serrana serena,

Parada junto ao Rio,

Em tarde amena.

Espreitas Coimbra,

No seu corrupio?

 

Barca tranquila d´antanho,

Que de velha já não vogas.

Outrora,

Corrias p’las águas, emproada,

P’los navegantes tocada,

Por vezes, manejando varais,

De longo tamanho.

Lá iam em pé,

Puxando, puxando, puxando,

Contra a maré.

Também suando,

Muito suando, suando.

Mas, ao destino chegando.

 

Hoje, estás doente parada,

Amarrada.

Lembras-me a Coimbra.

Deserdada,

Ultrapassada,

Maltratada,

Sem vida, adormecida.

 

(2018)

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