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CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

O meu quintal é a minha imaginação. Aí planto pequenos nadas.

CRÓNICAS DO MEU QUINTAL

24
Abr18

Testemunhos. Stephen William Hawking. Para Sempre.


pequenos nadas

 

 

            A minha formação primeira, a nível universitário, é uma licenciatura em Ciências Físico Químicas. Fundamentalmente, por esse facto, não poderia deixar passar, em claro, o falecimento recente do físico teórico e cosmólogo Stephen William Hawking, sem lhe prestar uma humilde e sentida homenagem.

            Uma esclerose lateral amiotrófica atingiu-o aos 22 anos. Foi, gradualmente, perdendo o uso dos músculos, depois uma traqueotomia sumiu-lhe a voz. O cientista, diz-se de cérebro raro e de inteligência invulgar, preservava um sorriso aberto, apesar de, em permanência, estar posicionado numa cadeira de rodas com o corpo torcido. Nos anos finais da sua vida, transmitia ordens a um computador e sintetizador de linguagem, através de contracções dos músculos da cara, que ainda lhe obedeciam.

            Resistiu a tudo isto até ao fim do último suspiro de vida; estudou ininterruptamente; comunicou sempre e de forma brilhante, pois era exímio a falar através dessas complexas ferramentas electrónicas.

            Transformou-se num símbolo para todas as pessoas, mostrando-lhes que podem fazer algo se enjeitarem condescender à derrota, mesmo, nas piores adversidades. Foi exaltado, pelo mundo inteiro, o seu triunfo sobre a contrariedade. Enfim, a sua coragem, obstinação pelo estudo, o fulgor radiante e, até, o humor comunicativo, foram fontes inspiradoras para muita gente.

            Hawking foi, além de muito mais, pioneiro da termodinâmica dos buracos negros, reflectiu arduamente sobre o Big Bang, estudou a emissão de partículas, e, daí, a célebre radiação Hawking.

            Escreveu livros que se venderam, aos milhões, em mais de 50 línguas. Recorda-se, de entre outros, “Breve História do Tempo”, (1988), agora reeditado pela Gradiva, “Universo Numa Casca de Noz” (2001), “A Teoria de Tudo” (2008). Que me lembre, a divulgação científica de ficção, dedicada ao público infantil, também foi um dos seus objectivos. Confirmou o seu estatuto icónico, e vincou um papel significante como símbolo de uma certa cultura popular no aparecimento da sua figuração na série televisiva Simpsons.

            Meditou, ainda, sobre as grandes questões que a humanidade há muito discute: a interligação entre a ciência, a política e a religião. O papel social de um homem de ciência também lhe mereceu reflexão.

            Segundo Nuno Galopim, em 2006, lançou via Internet a seguinte pergunta: “Num mundo que vive num caos político, social e ambiental, como é que a Humanidade poderá sobreviver por mais 100 anos?” Quem responde?

            Luís Faria assegura-nos que, em religião, era absolutamente céptico e afirmava: “…encaro o cérebro como um computador que parará de funcionar quando os seus componentes falharem. Não há céu nem existência pós-morte para computadores destruídos, isso é um conto de fadas para pessoas que têm medo do escuro.

            Poderei, por fim, homenagear Hawking, parafraseando o nosso grande poeta Camões, sempre que exalta aqueles que deixaram obras relevantes libertando-os da lei da morte: “Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte.”

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